Viva ! - Roxy Music

Published on by Wandique

"There´s a new sensation, a fabulous criation ..."

A contracultura nos trouxe uma liberdade nunca dantes experimentada pelos nossos pais e impensável para nossos avós. Como baby boomer tardio estou me referindo àqueles que nasceram antes da segunda guerra … Mas enfim, entre as liberalidades "conquistadas" pela minha geração está o se desprender de padrões consagrados do bem vestir exatamente porque eram padrões e consagrados. Existia um sentimento de revanchismo em relação ao stabilshment. Se a gravata se tornou um símbolo da opressão capitalista (para a então dita inteligentsia) o Roxy Music nos devolveu o saborear estético da classe e elegância, especilmente em sua música (o padrão "Bryan Ferry" veio um pouco mais tarde). Como já se disse, a nobreza vem do berço e isso é verdade. E essa classe se apresenta de maneira insofismável na música do Roxy. Houveram tentativas posteriores mas tudo se mostrou uma caricatura. Talvez o Tindersticks atualmene seja o que mais se aproxima do que o Roxy Music fez na sua fase pós Brian Eno. Não sei exatamente o que define a sua música : a voz do Bryan Ferry ou seu estilo de composição. Mas isso se confunde quando ouvimos o brilhante arranjo de "Like a Hurricane" do Neil Young ou de "Jealous Guy" (na minha opinião é muito superior ao seu arranjo original), o caráter do Roxy as impregna deliciosamente . Existe ainda o elemento teatral intrínseco do showbiz: um longo caminho separa o Bryan Ferry com blazer de tigre com purpurina (e o Brian Eno de oncinha) do início dos anos 70 e o crooner de Avalon.

Viva ! são diversos show reunidos num intervalo de 3 anos (73 a 75) mas o resultado é revelador, pela reação do público percebe-se o quanto o Roxy era idolatrado em Inglaterra.  Os shows de rock eram um bom escape para aqueles dias difíceis que a Inglaterra estava vivendo. "Do the Strand" continua sendo o "bis" preferido nos shows do Bryan Ferry mas o que define esse disco é "Out of blue" e "Both ends burning". A alquimia entre a guitarra do Phil Manzanera e o baixo do John Wetton é possante e a presença das Sirens imprescindível (o Roxy Music sempre foi muito criterioso na escolha de suas backing vocals e nas capas dos discos). Falar da vibração que um disco ao vivo do Roxy nos mostra é um pleonasmo. Ouça o disco, você vai gostar.

Lançamento : Agosto de 1976

Lado 1

1) Out of blue

2) Pyjamarama

3) The bogus man

4) Chance meeting

5) Both ends burning

Lado 2

1) If there's something

2) In every dream home a heartache

3) Do The Strand

 

 

Viva ! - Roxy Music

Published on Roxy Music

Comment on this post

ehklcatimv 12/16/2019 00:59

That said, even if you consider our guidelines the “10 Rules” is congruent with points two and three.

Edson 06/21/2014 08:34

Conheci o Roxy em 1977 pelo ''Viva'', em uma fita que me foi dada por um amigo que recebeu de outro, em outra cidade, sendo que a fita era com o Roxy Viva em um lado e Festival Santana do outro.
O pior de tudo é que naturalmente não tinha o álbum completo, mutilava justamente If There Is Something aos 8:20.
Imagine voce ouvir algo inacabado e nao saber a conclusao domovimento e justamente nessa faixa que é uma suite bem no estilo progressivo viajante.
So fui escutar em 1982 quando um amigo gravou o álbum completo quando esteve em Sao Paulo. É claro que que fizemos uma reunião para escutar, já que essa musica ficou pendente para todas os meus amigos da época.
Hoje temos tudo na internet, musica, videos, informações, o eu de certa forma tirou o sabor de coisas como essa e que somente quem viveu sabe.

Hoje tenho copia em CD e vinil desse album e é um dos que eu mais escutei na minha vida e recomendo para todos que nao conhecem o Roxy ou ainda para aqueles que acham que Roxy é o Flesh + Blood e Manifesto.
Recentemente dei um vinil do Viva para um amigo, mas recomendei que o escutasse sem antes ver qualquer coisa deles na internet.

Crooner é a palavra que melhor descreve o Brian Ferry, dono de uma voz potente e versátil, sendo NMO um dos melhores vocalistas do rock.

Wandique 06/21/2014 17:41

Edson,

Legal o teu relato. Realmente o Manifesto é bem fraquinho mas sempre teremos a voz fantástica do Bryan. Talvez o crooner do Tindersticks se salve nos dias de hoje. É interessante como os caminhos se cruzam e se repetem. Pois é meu amigo, que bom que ainda podemos ter o prazer de ouvir nossos LPs. Coincidentemente estou ouvindo "Bête Noire", um dos solos do Bryan. Abração e boas audições !