Generational GAP

Published on by Wandique

“Existe algum de nós que não conhece a dor de se sentir sozinho, perdido em Abbey Road"

 

Já falei disso aqui mas agora quero trazer uma nova perspectiva. Tenho assistido muitos videos de “reação" no Youtube, são aqueles videos onde a pessoa nunca ouviu uma música e a ouve gravando suas reações. É interessante não pelas reações em si mas, o desconhecimento de “clássicos" é, pelo menos para mim, algo atordoante. No entanto fico pensando se são realmente “clássicos", essas pessoas deveriam conhecer. Aí entra o mito que todas as pessoas têm o mesmo conhecimento e experiências que tive e, sabemos que não é assim pois, pessoas, mesmo sendo criadas sob o mesmo teto têm experiências e vivencias culturais diversas. Me apercebi disso quando descobri que minha irmã caçula veio a conhecer o “The Who” aos quarenta e poucos anos sendo que passamos juntos muitos anos das nossas vidas ouvindo “quase" os mesmos discos quando morávamos com nossos pais. Então não é de se estranhar se alguém 20 ou 30 anos mais jovem que eu não conheça Pink Floyd (!) ou CSN. O que é gratificantes ao assistir esses videos é ver o prazer do descobrimento, o alumbramento de ouvir, pela primeira vez Pink Floyd ou Elis Regina. É claro que isso também afaga o meu ego no sentido de ter sido contemporâneo desses artistas e ter estado lá quando essas coisas estavam se passando: “enquanto acontecia eu estava em San Vicente”. Se eu pensar bem, fui contemporâneo de Stravinsky e Picasso! Só esses dois são suficientes mas sabemos que a nossa geração foi e é muito privilegiada por ter vivido todas essas coisas que foram tão fundamentais para definir o que foi o século XX. Pois é, isso são coisas que aconteceram no milênio anterior e que não fazem parte das experiências de grande parte das pessoas das quais somos contemporâneos. Se vivemos no tempo em que os gigantes andavam sobre a Terra, esses gigantes hoje são identificados (“indentificados" como dizem atualmente) como “dinossauros”. Tenho somente alguns dias para poder cantar “WHEN I’m sixty-four”, tenho o direito de continuar sonhando pois, como disse o Milton, “sonhos não envelhecem”. Nós sim.

 

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