Stranded - Roxy Music

Published on by Wandique

O terceiro album do Roxy Music é o primeiro sem Brian Eno. Mas se prestarmos atenção ainda paira sua sombra monstruosa (como diria o Caetano Veloso). Algumas influências podem ser construtivas. É notório o uso de teclados nos arranjos dos primeiros discos do Roxy dada a "formação musical" do Eno. E neste disco o outro Brian assume com mais guitarras. De certa maneira este "Stranded" (encurralado) sempre me pareceu meio misterioso, é uma transição de onde o Roxy estava para onde ele está agora (citando o Mr. Spock). É diferente do experimentalismo anterior pois é mais um tatear que experimentar (os experimentos são controlados). Algo como experimentar a temperatura da água com a ponta dos pés antes de mergulhar. E que mergulho ! O disco é muito consistente, "exato" (de acordo com o Guimarães Rosa). A tendência ao pop é visível (ou audível) mas não é despudorada, o Roxy nunca deixou de ter uma produção elaboradíssima mesmo quando a sua música é "dançante". Nada é gratuito, eles exigem a nossa atenção e esta é recompensada pois existe muito mais além que melodia e ritmo neste disco: "This Brave New World's not like yesterday" (Huxley ou Shakespeare em "Street Life"?). Acho que o trabalho do Roxy Music (que a partir deste disco é o trabalho do Bryan Ferry) sempre foi mal interpretado, mas basta prestar um pouco de atenção para perceber a diferença entre um acorde sofisticado e um acorde kitsch (se é que existe tal coisa). A estética do Roxy Music é sofisticada por estilo e não por vaidade. Entre aqueles que querem ser algo e os que aparentam ser, o Roxy Music sempre foi porque não poderia deixar de sê-lo uma vez que não se aprende ter classe. 

Lançado em Novembro de 1973

Lado A

1) Street Life

2) Just like you

3) Amazona

4) Psalm

Lado B

1) Serenade

2) A Song for Europe

3) Mother of Perl

4) Sunset

Stranded - Roxy Music

Published on Roxy Music

Comment on this post