O que aconteceu e não queríamos admitir

Published on by Wandique

Invarialvemente alguma publicação traz à baila a "morte do rock". Para nós que nascemos com o rock onipresente (quando nasci o sucesso era "Heartbreaker Hotel" com o Elvis) este tal de rock'n'roll é, literalmente, parte da nossa vida. Minha geração baby boomer e as subsequentes experimentaram a importância e influência do rock profundamente. A princípio, o rock'n'roll era mais um novo "ritmo" (como se dizia) para se dançar que logo se tornou uma gênero musical que serviu para questionar o stablishment e, como movimento, mudou muita coisa durante os acontecimentos da década de 60 o que todos sabemos. Então na década de 60 era o Rock, com todas as suas vertentes que apareceram nos anos seguintes até a primeira metade dos anos 70, sendo (no meu ponto de vista) as mais importantes o rock progressivo e o heavy metal de onde resultou tudo o que veio depois. O folk do Dylan e seus desdobramentos é um caso especial de universalização da música "nativista" como dizem os nossos amigos gaúchos. Então no final dos anos 70 veio o começo do fim com a disco music. Houve um emburrecimento da produção musical comandada, como sempre, pela indústria onde o importante  é o lucro a qualquer custo. Inevitavelmente o que se produziu nas décadas de 80 e 90 foi, de maneira geral, lixo. O que era mainstream de qualidade excepcional passou a ser exceção, até os dias de hoje. É claro que sempre houve música boa e música "fabricada" para vender. Já se disse que o mundo se divide em quem comeu trufas e quem não comeu, mas o problema é que a grande maioria acha que trufa é um bombom de chocolate. Muita coisa concorreu para que tudo deteriorasse na nossa sociedade, os valores morais, éticos e estéticos foram simplesmente suprimidos ou substituídos por ... nada ! Tratando-se de música o nada se traduz em rap (Rhythm And Poetry), hip-hop. Não sei diferenciar mas sei que aquilo que é música foi substituído por um declamar de rimas ritmadas (quando há rima). Como música amador vejo horrorizado o descaso de muita gente perante ao ensino formal da música. A preguiça grassa quando as pessoas abandonam os cursos de instrumento porque não aprendem em menos que 3 meses de estudo. Preguiça e orgulho. Para que eu tenho que estudar por anos quando ao aprender 3 acordes posso fazer música? Por que aprender a falar quando basta arrotar? Isso foi no final da década de 70 com  o punk. Quatro décadas após evoluimos para a não música. E no entando a indústria continua faturando. Não é culpa do stablishment como costumávamos dizer, a culpa é nossa. O rock não morreu,  morreram os rockeiros.

P.S.: como o foco aqui é o rock não discuto o que aconteceu aqui em Brasil (graças a Deus ainda temos o Egberto Gismonti) pois "rock  brasileiro" é a mesma bobagem que o samba escandinavo.

 

O que aconteceu e não queríamos admitir

Comment on this post

Edson 09/10/2017 16:10

Li um artigo bem interessante “Why my guitar gently weeps: The slow, secret death of the six-string electric“
De certa forma isso vai de acordo com que expôs acima, e estes tempos notei a enorme quantidade de guitarras encalhadas nos Recycles Shop por aqui.
Acho que o fim esta próximo. Pelo menos o meu.

Wandique 09/10/2017 18:05

Realmente o instrumento da nossa geração é a guitarra. Agora é esperar para ver (e ouvir) o que acontece. Acontece.