Revolver - The Beatles

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Ontem li uma matéria no jornal METRO falando de um livro que alguém escreveu sobre "discos preferidos". Como todos sabemos existem "listas" intermináveis internet à fora classificando os "melhores" … Existem listas do jornal Rolling Stone, do Rateyourmusic, Ranker … Ao mesmo tempo sabemos que tudo isso tem um percentual de tendencionismo, seja pelo direcionamento editorial de quem publicou ou simplesmente por quem foi consultado. Pois então, o tal do livro resultou numa lista (a reportagem apresentou os dez primeiros) em que o "Revolver" aparece em primeiro lugar. Não vou discutir aqui porque os Beatles sempre aparecem nos primeiros lugares de todas listas que se fazem por aí (porque isso é óbvio e nesses dez primeiros aparecem ainda o "Sgt. Pepper's" e o "Album Branco") mas o porquê deste album em particular. Cansaram de colocar o "Sgt. Pepper's" em primeiro lugar ou o quê ? O "Album Branco" é sempre uma opção de quem não gosta dos Beatles. Creio que a única explicação é "Tomorrow Never Knows". Para quem não viveu aqueles dias essa música pode parecer banal (afinal TODO MUNDO poderia ter feito algo semelhante) mas no primeiro semestre de 1966 a "cena musical" era ainda, para os nossos padrões, muito primitiva, ninguém conseguia imaginar algo como "Tomorrow Never Knows" pois música pop era para se dançar, não para se ouvir. "Revolver" seguiu o "Rubber Soul" que foi o ápice do que eles tinham feito até o momento mas na "America" a psicodelia começava a aparecer numa música que era usada como um elemento para ajudar na "expansão da consciência" e não só para dançar. George Harrison, maravilhado com o misticismo indiano, passou a compor mais e esse disco tem mais um Beatle compondo ávidamente juntamente com um Paul McCartney arranjador sofisticado (o quarteto de cordas em "Eleanor Rigby", os metais em "Got to get you into my life") e um John Lennon que passa a usar os recursos do estúdio como um instrumento musical. Esse disco, além de over-dubs óbvios, tem muita guitarra gravada de trás para frente e outros truques de estúdio. "Tomorrow Never Knows" sinaliza que acabara o tempo de inocência para os Beatles, agora eles compreenderam que a música deles não era um simples (ou não tão simples assim) rock'n'roll - a partir daí a música que seguiu esse modelo passou a ser chamada de ROCK.

Lançado em Agosto de 1966

Lado A

1) Taxman

2) Eleanor Rigby

3) I'm only sleeping

4) Love you to

5) Here there end everywhere

6) Yellow Submarine

7) She said she said

Lado B

1) Good day sunshine

2) And your bird can sing

3) For no one

4) Doctor Robert

5) I want to tell you

6) Got to get you into my life

7) Tomorrow Never Knows

 

P.S.: a capa é do baixista Klaus Voormann que eles haviam conhecido em Hamburgo

Revolver - The Beatles

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Paulo Marcel Coelho Aragão 01/01/2015 09:22

Os místicos hindus dizem que a realidade não é feita de matéria, mas de som. Trabalhei na Arábia Saudita em 2000, e escutava “Revolver” com frequência no caminho de casa para o trabalho, vidros do carro fechados, ar condicionado no máximo, um calor infernal do lado de fora: “Revolver” não é mera trilha sonora para minha Arábia Saudita, minha Arábia Saudita é “Revolver”, um não existe sem o outro. “Revolver” pode não estar em nenhuma de minhas «listas», mas é um pedaço que não dá pra arrancar de minha vida.

Wandique 01/01/2015 20:32

Meu querido amigo,

Misticismos à parte nós sabemos que a realidade é imaterial, é um estado de (pretensa) consciência. Dizem que paranóicos são aqueles que têm uma leve noção da "realidade" (seja lá o que for isso). Creio existir muitas "portas da percepção", eu escolho (sempre que possível) a do cinema e a porta da música ...