Who's Next - The Who

Published on by Wandique

"Meu amor é vingativo"

Dizem que gosto não se discute, lamenta-se. Eu gosto do The Who. Eu sei que existem outros grupos melhores mas eu simplesmente gosto da música deles. Já comentei isso em outros posts alhures. O fator emocional, apesar de óbvio na fruição estética, não é algo simples de explicar - "Atrás de cada porto tem uma cidade" e atrás de cada disco, várias histórias (esta é somente uma delas). Esse disco do The Who eu devo ter comprado uns cinco ou seis. Quebraram, empenaram, roubaram ou acabaram riscados. Mas eu não desisti. A cópia que eu tenho hoje é uma prensagem soberba da "Classic Records". Se puderem achar esse prensagem não deixem de comprar, é a definitiva, "eles" conseguiram reproduzir a primeira prensagem. Então existe essa paixão inexplicável para um disco que, para muitos, é um disco mediano do The Who. Talvez eu tenha me encantado vendo o Pete Townshend tocando desenfreadamente  no Festival de Woodstock (assisti o filme, não estava lá), o guitarrista alucinado, o ideal Mod de uma geração que mesmo ferida ainda era "stiff upper lip" (profeticamente a "teenage wastland" veio acontecer anos mais tarde com movimento punk). Quarenta e três  anos depois de lançado esse disco ainda tem o frescor daquela geração. Tá bom, eu sei que hoje o mundo ouve rap mas como o nosso "povo" gosta de ser diferente, ouve sertanejo (mais uma vez o Brasil sai à frente). Mas dêem uma oportunidade aos seus ouvidos (e especialmente ao seu cérebro) e transportem-se ao início dos anos 70 e ouçam com ouvidos condescendentes essa pequena jóia, que foi a tentativa frustrada de um guitarrista megalômano estabelecer um happening contínuo num espetáculo multi-mídia (anos antes de isso existir) que foi o projeto "Lifehouse". Creio que nem para o Pete Towshend ficou muito claro o que era para ser o projeto. Talvez a melhor definição seja "criação musical em movimento". Uma interação entre a música sendo interpretada ao vivo e a interferência do público : aos poucos a música iria se modificando e tendo vida própria como um organismo vivo que cresce e se multiplica indefinidamente. A criação musical de um ser independente que é própria música. Durante o show seria recolhido "dados" de alguém da platéia e, através de um dispositivo, criar música com base nos dados "colhidos". É claro que ele não conseguiu. Pois era como querer capturar e sintetizar um sentimento. Querer escrever uma escultura. Declamar uma pintura. "Ser a luz das estrelas e a cor do luar" como disse o falecido (houve uma tentativo abençoada pelo Pete que vocês podem ver aqui). O projeto se tornou uma obsessão para o nosso guitarrista e nos dias 25 e 26 de Fevereiro de 2000 aconteceu um concerto que vocês podem achar em dvd com o titulo de "Music from Lifehouse". Definitivamente não é o que ele pretendia mas pelo menos temos as músicas. No "Who's next" encontramos a semente do que poderia ter sido "o maior espetáculo da Terra".

Lançado em Agosto de 1971

Lado 1

1) Baba O'Riley

2) Bargain

3) Love ain't for keeping

4) My wife

5) The Song is Over

Lado 2

1) Getting in tune

2) Going Mobile

3) Behind Blue Eyes

4) Won't get fooled again

Who's Next - The Who

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Comment on this post

M
Como é que alguem pode achar este disco mediano!!!
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W
Poizé ...