Fragile - Yes

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Lembro perfeitamente a primeira vez que ouvi o Yes. Na realidade a voz do Jon Anderson. Era uma feira de ciências, no Colégio Estadual, estávamos montando os stands e alguém teve a boa idéia de trazer um toca-discos e botou para rodar o Fragile. Não lembro ter ouvido alguma vez alguém com aquele timbre de voz. Não lembro ter ouvido alguma vez uma música como aquela. Só ouvi "Roundabout" e foi o suficiente. Comprei disco e adorei do inicio ao fim. Eu não conhecia o Rick Wakeman nem nenhum dos outros. Mas a abordagem "erudita" que o rock progressivo trouxe sempre me foi atraente. É algo mais inteligente, mais elaborado, satisfaz o corpo e a alma. O Yes é um dos grupos progressivos por excelência nos trazendo o rock misturado à referencias eruditas (nesse disco com "Cans and Brahms" na sua quarta sinfonia, terceiro movimento" ). Como todos sabem foi o Nice (ver também o seu desdobramento, ELP) que introduziu, de maneira mais contundente, a música erudita no rock mas esses elementos foram utilizados largamente pelo Yes através dos teclados do sr. Wakeman. Creio que de certa maneira o Yes homenageou o Nice quando fez sua própria versão de "America" (Paul Simon) citando o "West Side Story" ...

Nas notas está bem claro que esse disco é, além de uma iniciativa do grupo, é também palco para os esforços individuais como bem pode se notar em "Cans and Brahms" (Rick Wakeman), "We have heaven" (Jon Anderson), "Five percent of nothing" (Bill Bruford) e "The fish" (Chris Squire), "Mood for a day" (Steve Howe). Especialmente em "Heart of sunrise" pude ter uma idéia do que viria nos próximos discos : uma evolução esfuziante que nos entregou, em 1973 o "Tales from Topographic Oceans" que considero a obra prima do Yes. Eu tenho me repetido aqui quando digo que nunca tinha ouvido aquilo. Todos nós conhecíamos o Cream (o baixo do Jack Bruce era incrível) mas eu nunca tinha ouvido um baixo como o do Chris Squire, nem uma guitarra como do Steve Howe. Se a música do Pink Floyd era espacial a do Yes me pareceu mágica, música de pixies ...

A arte do disco foi a primeira (de muitas) do Roger Dean para o Yes. De certa maneira isso passou a ser uma marca do grupo, as capas do Roger Dean e o logo do grupo.

 Atualmente eu não me admiro com mais nada em termos de criação musical. Me parece que, como tudo,  o rock é ciclico, tem seu altos e baixos. O rock progressivo foi se tornando cada vez mais complexo e creio que isso reduziu seus seguidores, nem todo mundo consegue escrever música boa e nem todo mundo gosta. Fala-se hoje em post prog ou new prog (que é o que o Porcupine Tree faz), mas para quem conhece Pink Floyd isso sempre será uma tentativa frustrada. Assim como nunca mais teremos um disco como primeiro LP do Elvis (com tudo o que representa até hoje) não teremos nada semelhante ao Fragile. A formação do grupo passou ser a clássica e é aquela que sempre é lembrada quando se fala de Yes.

Lancado em Novembro de 1971

Lado 1

1. Roundabout

2. Cans and Brahms

3. We have heaven

4. South Side of the Sky

Lado 2

1. Five percent of nothing

2. Long distance roundaround

3. The Fish (Schindleria Praematuris)

4. Mood for a Day

5. Heart of Sunrise

 

P.S.: foram reeditados recentemente os principais discos em vinyl 180g. Mas ainda prefiro as prensagens japonesas ... 

Fragile - Yes

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Comment on this post

Igor Maxwel 05/08/2016 19:47

Fragile é o álbum que eu mais gosto da fase do Yes com Bill Bruford, especialmente por causa dos hits "Roundabout" e "Heart of the Sunrise" onde Bruford dá um show em sua bateria. Pena que depois veio aquela chatice do Close to the Edge (1972) e o Bruford deu o fora do Yes para sempre e não voltou mais... Sorte é que depois o Alan White entrou no lugar dele e eles fizeram em 1973 seu melhor disco (Tales from Topographic Oceans) e com a melhor formação: Anderson, Wakeman, Howe, Squire (RIP) e White. Nada contra o Sr. Bruford, a verdade é que o White tinha mais pegada do que ele. Fragile é o álbum que eu mais recomendo aos iniciantes do progressivo em relação ao Yes.

Vicente 05/30/2014 21:24

Para mim, o Fragile marcou uma reviravolta na música do Yes, consolidada pelo disco seguinte Close to the Edge de 1972 que achava o ápice do grupo. A entrada do Rick Wakeman catapultou a música do Yes para um patamar superior, especializando a faceta erudita da banda. Ele elevou a posição do teclado de mero coadjuvante para estrela nas bandas de rock e seus discos solos estão, até hoje, entre os meus favoritos de todos os tempos.

Edson 05/23/2014 18:23

Acho que o Yes foi uma das bandas que mais sofreu a pressão do movimento punk, ao lado, é claro do E.L.&P. Mesmo na tentativa de retorno do Yes, subsequente ao Drama, nao foi capaz de atingir o brilhantismo da primeira fase.
Para mim o Close To The Edge é o que mais me agrada, mas concordo que no Fragile o Yes cristalizou todo seu potencial, isso se deu porque conheci primeiro o Close e logo em seguida vi um show do álbum no saudoso Rock Concert.

Wandique 05/23/2014 18:56

Mas é exatamente o que vc falou "movimento punk". O "movimento" se serviu de um meio de expressão que, no caso, foi a música (mesmo sem saber fazer música). Mas desde que se ouviu o termo "estética punk" a coisa foi para as prateleiras do super-mercado. Coisa de criança birrenta dizendo "como ousa permanecer no passado" ? Rock é como vinho, quanto mais velho melhor ...