Teaser & The Firecat - Cat Stevens

Published on by Wandique

All we are saying is give peace a chance” (John Lennon)

 

Minha geração achava que o rock iria salvar o mundo consoante com os ideais (e imaginário) da contracultura. O que conhecemos na época foi fruto da Guerra Fria : a ameaça do holocausto nuclear pairava monstruosa sobre nossas cabeças (esse disco foi lançado 10 anos depois do incidente da Baía dos Porcos). A influência americana era muito maior que é atualmente aqui em Pindorama e a guerra do Vietnã era tão presente aqui como lá. O pesadelo racial americano era intimidador. A reação dos jovens americanos era contagiante, afinal naquele tempo só existia a “Cortina de Ferro” (quem lembra da União Soviética?) e o “Mundo Livre”. No “Verão da Flor” (1967)  juntamente com o “Sgt. Pepper’s” comia solto a música “San Francisco” do Scott McKenzie que preconizava “toda uma geração com uma nova proposta” (“there’s a whole generation with a new explanation”). E essa nova proposta para salvar a humanidade de suas mazelas rejeitando o  "establishment" era  veiculada pela música, pelo rock. A primeira música anti guerra do Vietnã que me lembro foi “For what it was worth” do Buffalo Springfield em 1967 (esse ano foi mágico, tudo concorria para o Maio de 68 que determinou tudo que nos aconteceu depois).

E o que tem tudo isso com o Cat Stevens ? Tudo pois ele compos uma música ("Peace Train") nos conclamado à Paz Mundial (muitos outros também fizeram isso mas este post é sobre o Cat Stevens!). Estamos agora em 1971 e depois de um sucesso arrasador (houveram muitos sucessos arrasadores naqueles anos) com “Tea for the Tillerman” (com a reveladora “Father and Son”), Cat Stevens lança essa pérola que é “Teaser & the Firecat”. A capa parece uma ilustração para livros infantis e foi isso mesmo. O disco é maravilhosamente acústico numa época que a guitarra elétrica imperava. Há uma música (“Ruby love”) que é metade em ingles e metade em grego (o pai dele era grego) e temos a participação (não creditada) do Rick Wakeman (que era o tecladista do Yes) em “Morning Has Broken”. “Moonshadow” é a experiência que ele diz ter tido ao avistar um disco-voador (depois ele contou outra história). Mas como o melhor sempre (sempre mesmo?) fica para o final, o disco fecha com a monumental “Peace Train”. Ouçam com o coração que tinhamos naqueles dias quando acreditávamos que tudo iria dar certo. Mas os tempos são outros. 

 

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Lançado em Outubro de 1971 (no mes dos meus 15 anos)

 

Lado 1

 

  1. The Wind
  2. Ruby Love
  3. If I laugh
  4. Changes IV
  5. How can I tell you

 

Lado 2

 

  1. Tuesday’s Dead
  2. Morning Has Broken
  3. Bitterblue
  4. Moonshadow
  5. Peace Train

 

P.S.: o jornal Rolling Stone nos brinda com um artigo sobre a entronização do Tillerman no Rock´n´Roll Hall of Fame

P.S. (2) : este post foi originalmente publicado em 14/04/2014. Esta republicação, revisada e ampliada, foi motivada pela compra do album "lacrado" de 1976 numa reedição da A&M, masterizado pela Sterling Sound e prensado pela Monarch.

 

Teaser & The Firecat - Cat Stevens

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Comment on this post

Vicente 05/15/2014 22:33

Esse disco é icônico pela musicalidade acústica e pela leveza. Simplesmente adorável.