Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - The Beatles

Published on by Wandique

 

"My life was never the same again." 

 

Robert Fripp do King Crimson em http://www.furious.com/perfect/fripp.html

 

Este é um disco inevitável. Não creio que exista algo que ainda não foi dito sobre esse disco. Meu sobrinho me perguntou porque esse disco é importante. Efeitos borboleta à parte, o mundo (pelo menos o mundo do Rock) não seria o que é hoje. Creio que a palavra chave é criatividade. Mesmo não sendo o primeiro disco conceitual é o mais importante. "A day in the life" chamou a atenção do compositor romeno Ligeti. As gerações que não cresceram ouvindo Beatles não imaginam o quanto eles eram unânimes. Não conheço grupo algum que foi tão reconhecido assim. Meus pais gostavam deles, meus avós, meus tios, minhas primas, nossa diarista, o porteiro do prédio, o frentista do posto de gasolina, nossos governantes ... Em 1967 não havia ainda a Tropicália (o primeiro disco do Caetano é de 1967) nem rádio FM e com exceção da Bossa Nova (e da Jovem Guarda) a música inglesa reinava absoluta no nosso país (pelo menos nos grandes centros). Era o ano da contracultura e do "Verão da Flor" (ou Verão do Amor). A psicodelia florescia e o LSD ainda não havia sido proibido. Talvez tudo isso tenha favorecido a concepção e a acolhida do album. Na década de 1960 havia "algo no ar além dos aviões de carreira". Havia o medo da bomba, o ódio racial naquele país da América do Norte e a guerra do Vietnã. Creio que minha geração é ansiosa por causa disso tudo. E aí veio o Sgt. Pepper's. O que se ouviu desde a primeira faixa foi inusitado. Parecia ser ao vivo mas era mesmo? Billy Shears? Parecia ser o Ringo. E aquela música do George, com aquele instrumento estranho com jeito esquisito (foi a primeira vez que ouvi um sitar). E porque eles repetiram a primeira música só um pedacinho (mais tarde descobri que isso se chamava "coda"). E para fechar, "A Day in the Life". Nunca a voz do John foi tão bonita. E aquele "ruído" no dead wax que se repetia indefinidamente nos toca-discos manuais ... A capa nos deu uma boa pista das possíveis influências sobre eles. Na época identifiquei o "Tarzan" (Johnny Weissmuller), o "Gordo e o Magro" e Bob Dylan ... Foi o primeiro disco simples a ter uma capa dupla. O primeiro disco a ter as letras das músicas impressas na capa. E havia ainda as "pistas" da morte do Paul. Explico. Houveram rumores que o Paul havia morrido e na capa deste disco, no encarte do "Magical Mystery Tour" e na capa do "Abbey Road" existiam pistas que confirmavam isso.

 

Fiquei horrorizado certa feita em que vieram me mostrar uma música fantástica composta pelo Elton John : "Lucy in the skiy with diamonds" (ele gravou este cover em 1974). Asseguro para voces que a música é do John Lennon e é a terceira faixa do lado 1 do "Sgt. Pepper's". 

 

Talvez na época não imaginávamos o que havia acontecido. Era um bom disco (recuso usar "bolachão", isso era gíria de SP/RJ) mas isso era esperado dos Beatles. Vivíamos num tempo em que os gigantes andavam sobre a Terra. Minha vida nunca mais foi a mesma.

 

***

Lançado em Junho de 1967

 

Lado 1

 

1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

2. With a little help from my friends

3. Lucy in the sky with diamonds

4. Getting better

5. Fixing a hole

6. She's leaving home

7. Being for the benefit of Mr. Kite!

 

Lado 2

 

1. Within you without you

2. When I'm sixty-four

3. Lovely Rita

4. Good morning good morning

5. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (reprise)

6. A day in the life 

 

 

 
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - The Beatles

Published on The Beatles

Comment on this post

T
Sensacional a análise!! É muito bom saber a história por trás das coisas, para mim a música sempre foi um grande formador de ideais, procuro na música algo que nos acrescente, e esse disco é um dos que eu certamente tenho que prestar mais atenção.
Reply
V
Bela análise com as reminiscências que essa época carreia. O Sgt. Pepper's é um disco eterno e foi um divisor de águas na música moderna. Merece ser ouvido de vez em quando para, além de nos deliciar com suas faixas melódicas, nos mostrar que a boa música é imortal.
Reply